(Murilo Mendes, “A Noite de Setembro”, Os Quatro Elementos)
Eu vi! Eu vi a Virgem!
Alvibela,
- mais belo que todos os brancos profanos -
Eu vi! Eu vi a Virgem!
Presença ecumênica,
e nos quatro cantos do mundo,
Eu vi! Eu vi a Virgem!
Musa celeste,
a convergir solitários em namorados,
a multiplicar e partilhar os peixes,
a – desde sempre – rabiscar na mente
Eu vi! Eu vi a Virgem!
Curva contínua,
ombro cúmplice onde meu fôlego
Multiforme trânsito do visível
inclino-me vencido e em fascínio por sua insolúvel
Eu vi! Eu vi a Virgem,
e sua (des) aparição
me salvou e me salvará
durante toda a eternidade.
